31 de maio de 2016

‘Sobra’ sangue mas faltam kits de análise no Hemoal

Se a situação da falta de sangue nas unidades públicas de saúde – incluindo o HGE – é desesperadora, o problema não se deve à baixa presença de doares no Hemoal.

Pelo contrário: só ontem cerca de cem doadores, só na unidade central, no Trapiche da Barra.

Tem sangue, mas faltam os kits de sorologia, sem os quais não pode ser feita a análise do produto coletado pelo Hemoal.

O problema se agravou na semana passada, quando o material praticamente “sumiu” no hemocentro porque os fornecedores deixaram de fazer de vez a entrega.

Eles reclamam, dizem os servidores do Hemoal ouvidos pelo blog, que está sem receber o pagamento até mesmo de lotes entregues no ano passado.

A situação é cada vez mais grave.

No último final de semana, um socorro oferecido pelo Hemope, de Recife, possibilitou a realização dos exames de bolsas de sangue coletadas pela Hemoal, mas já não há kits para novos exames.

A questão é a de sempre: o problema é de gestão ou de falta de dinheiro?

O governador Renan Filho pode ser a resposta melhor do que ninguém.

Consignados: “Caixa não pode cobrar dos servidores”, diz secretário

O secretário do Planejamento e Gestão Christian Teixeira disse ao blog que está fazendo um levantamento para saber onde ocorreu o problema que resultou na cobrança dos servidores que fizeram empréstimos consignados com a Caixa Econômica Federal.

Entretanto, ele já adiantou que está tomando algumas providências preventivas:

– Estamos preparando um decreto que proíbe que os bancos façam a cobrança aos servidores. O contrato é entre o Estado e as instituições financeiras, e não admitimos que os servidores sejam punidos pelo que não têm responsabilidade.

Numa frase, Teixeira resume a sua posição: “Os bancos têm de cobrar ao Estado”.

No caso dos sete mil servidores que estão recebendo a cobrança, por inadimplência, da Caixa Econômica Federal, o secretário de Planejamento e Gestão disse que vai se reunir com a direção local da CEF, ainda esta semana – está indo para Brasília – para identificar onde ocorreu o problema, ressaltando que “os servidores não podem ser punidos”.

Ele explicou que mantém um rigor na exigência do limite dos empréstimos consignados, de 30% dos salários dos servidores, que os bancos devem cumprir, de acordo com a legislação vigente.

Quanto à reclamação de que só a Caixa Econômica Federal está realizando este tipo de operação com os funcionários estaduais, Christian Teixeira adiantou que está fazendo contato com outros bancos:

– É importante para nós que este leque se amplie, havendo uma concorrência maior e possibilitando a redução das taxas cobradas pelas instituições financeiras.

Ele prometeu informar o resultado das apurações que a Secretaria de Planejamento e Gestão está realizando para saber a origem do problema de agora. “até porque o secretário George Santoro me garantiu que os pagamentos à caixa estão sendo feitos em dia”.

Estamos no aguardo.

Quem será o próximo conselheiro de Calheiros a aparecer na fita?

O senador Renan Calheiros, ainda que não tenha contra ele o tal “batom na cueca”, virou um vírus de grande capacidade de contágio.

O ex-ministro da Opacidade, Fabiano Silveira, caiu em desgraça depois de aconselhar Calheiros sobre como agir no inquérito da Lava-Jato em que o presidente do Senado é alvo junto com o afilhado dele, Sérgio Machado, o delator-geral da República.

Não há mais retorno para Silveira, se não por crime, mas por comportamento inadequado para quem teria como missão resolver negócios bilionários em nome da União (os acordos de leniência).

A imprensa nacional anuncia agora que caberá a Calheiros a indicação do novo presidente da Eletrobras, na repetição dos métodos de esquartejamento da máquina pública para distribuí-la aos de sempre.

A prática dilmística passa a ser temerária como se nada tivesse existido.

O senador Renan Calheiros sempre tem dito que não indica ninguém para nenhum governo. Agiu assim antes, age agora e o fará no futuro.

Pode ser.

Mas uma coisa está clara: dar conselhos a Calheiros pode não ser a atitude mais inteligente (e silenciosa) que algum candidato a poderoso pode ter em Brasília.

30 de maio de 2016

Sete mil servidores com empréstimos consignados recebem cobrança da Caixa Econômica

O blog vem recebendo, desde a semana passada, comentários como o que está postado abaixo:

carlos disse:

30 de maio de 2016 às 11:33 Editar

Alo,alo servidor público,que tem consignado quem ainda não recebeu a carta de cobrança é só ter paciência a qualquer momento a sua chega. Pois a minha já chegou. No meu salário foi descontado e se o estado não repassou, de quem é a dívida? Será quem nem Ricardo Mota explica? Foi lapso de memória, nem FREUD explica.

Ou seja: a Caixa Econômica Federal está notificando, por inadimplência, servidores públicos estaduais que fizeram empréstimos consignados.

A cobrança, está claro, tem o endereço errado: quem tem de fazer o pagamento é o próprio Governo do Estado, que é o encarregado de efetuar o desconto direto na folha de pessoal, repassando o dinheiro para a Caixa Econômica.

Por duas vezes, eu entrei em contato telefônico com o secretário da Fazenda George Santoro.

Em ambas as oportunidades, ele me garantiu que os compromissos do Estado com a Caixa, especificamente em relação aos empréstimos consignados, estão em dia.

O que reafirmou no início da tarde de hoje.

Extraoficialmente, nada menos do que sete mil servidores públicos estaduais estão sendo “vítimas” das cobranças do banco que faz os empréstimos.

Ou há apropriação indébita, ou erro de uma das partes: caixa Econômica e/ou Governo do Estado.

Os servidores cobrados podem muito bem – se assim  quiserem – ingressar com uma Ação Civil por danos morais.

(E nem adiante dizer que o erro foi do “sistema”, ainda que ele seja um vampiro.)

Rodrigo Cunha resiste à pressão do PSDB por prefeitura de Arapiraca

O deputado Rodrigo Cunha tem tido uma aprendizado doloroso na Assembleia Legislativa, mas vem demonstrando altivez, coragem e disposição intelectual para “encarar” as feras da Casa.

O mais importante, para mim, é que ele tem tido humildade para assumir alguns erros e saber o tamanho do passo a ser dado, ainda que em meio a elogios perigosos.

Assim, ele tem rejeitado a pressão para que seja candidato a prefeito de Arapiraca, cidade que carrega na alma por tudo que já passou na sua jovem vida.

A direção regional do PSDB e os líderes tucanos do Agreste, incluindo Rogério Teófilo, têm insistido para que ele, Rodrigo Cunha, dispute a sucessão em aberto de Célia Rocha: ele tem dito não.

Assim me parece, ele demonstra maturidade em rejeitar o “convite” para entrar neste embate. Que talvez seja inevitável – mas não agora.

Crise pode ajudar Renan Filho a criar identidade própria

 

Neste cenário de desmoralização geral, o governador Renan Filho ganhou a oportunidade de criar uma identidade própria, independente do pai.

Não é fácil, mas talvez seja urgentemente necessário para que ele sobreviva politicamente.

O presidente do Senado costuma dizer que o Filho tem todas as qualidades dele (?) e nenhum dos seus defeitos (?).

Renan Filho assumiu o governo de Alagoas com 33% dos votos possíveis dos alagoanos e tem surpreendido para quem esperava que ele fosse o anúncio do caos.

Não tem sido.

É difícil esperar mais de um governante, principalmente de um estado pobre, em tempos de dinheiro curto e de falência dos serviços públicos.

Como já disse, repito: Renan Filho tem o mérito de não criar novas crises, além das que já existiam.

Daqui pra frente, com o evidente enfraquecimento – mais uma vez – de Renan pai, ele terá de assumir um protagonismo na política regional, e até nacional, se mantendo longe do presidente do Senado.

Até por uma questão de sobrevivência.

Renan pai tem sete vidas, já se disse dele.

É saber quantas ele já gastou.

Por que Renan Calheiros balança mas não cai agora

Muitos esperam que chegue logo a vez do senador Renan Calheiros.

Se isso vai mesmo acontecer, acredito que ainda não é hora.

A não ser que apareça uma nova revelação bomba, “o batom na cueca”, não foi agora que o presidente do Senado entregou o que uma boa parte do país aguarda.

As gravações de Sérgio Machado, seu afilhado na Transpetro, apenas tornam público um pouco mais do que é a “alma” do senador Renan Calheiros.

Dizer que ele é contra a delação premiada, nos moldes atuais, que considera Janot um “mau caráter”, que acha que Lula tem “cabeça de pobre” por ter comprado um “apartamento de bancário”, convenhamos não é nada surpreendente. Foram apenas falas banais e normais no mundo em que ele vive.

Disse um amigo meu: “São conversas de banheiro” as gravações de Machado.

Sim, são privadas demais.

Imagino que, no seu ambiente, Rodrigo Janot não faça elogios a Calheiros, mas há de reconhecer que o senador de tornou “um mal necessário”, um ponto de equilíbrio, ainda que tênue, em meio à avalanche de “denúncias” e publicações de conversas delatoras.

Se ele sai da presidência do Senado, assume inicialmente o petista Jorge Viana e, um pouco mais adiante, outro senador pemedebista de uma facção que pode fazer mais estrago do que o atual mandatário da Casa.

Calheiros se fez necessário ao governo, à oposição, ao PGR e até ao Supremo, neste momento.

Mais à frente poderemos reavaliar essa necessidade, mas por enquanto é assim: ele balança, mas não cai.

29 de maio de 2016

Desmemórias

– Você se lembra de mim?

Estou eu ali, de novo, frente a frente com um passado que me parece tão remoto a ponto de não ter existido. Por vezes, forço a minha memória fisionômica, até bastante razoável, e o resultado vem de imediato:

– É claro que sim.

Mas esta verdade nunca há de bastar, e aí vem a definitiva lancetada na alegria fugidia:

– E qual é o meu nome?

Seria inútil demais mentir, até porque as possibilidades beiram o infinito. E eu me dou por vencido, trazendo de volta uma vergonha sem a qual eu passaria bem melhor.

O fato é que, para má sorte da minha parca memória, estou envelhecendo publicamente, com muita gente conhecida acompanhando dia após dia, e sem a devida reciprocidade, em um estado pequeno, em uma cidade que incha, mas que me empurra para os mesmos lugares, sempre: talvez pela minha preguiça de buscar novos horizontes geográficos, tendo as raízes enfiadas em terreno estreito, embora carregando a tola esperança de desconhecer limites na imaginação.

As minhas lembranças, confesso, não deixam espaços para nomes, datas e otras cositas más, fundamentais para a vida em comunidade e, inclusive, em família. Esqueço, por exemplo, aniversários de amigos e parentes mais próximos, e só redescubro nomes e apelidos de primos, primas e agregados, a quem não vejo há algum tempo, quando me socorro da memória da minha mãe, um primor aos 85 anos de idade.

E não é que o acaso, nem sempre um companheiro solidário, me ajudou bastante no âmbito doméstico? Vejam: minha mulher e meus filhos aniversariam em datas que dispensam exercícios mnemônicos: 12/02; 23/03; 24/04.

Ufa!

E olha que essa desmemória, que não foi me apresentada agora e só deve piorar daqui para adiante, tem me dado também algumas boas alegrias. Já faz algum tempo que tenho optado por reler bons livros com os quais já convivi, rever filmes que me emocionaram lá pra trás, e eles me oferecem um sabor de deliciosa novidade, que não coube no baú sem alças da minha vida passada – e única.

Se deles lembrasse como fazem os de memória prodigiosa, certamente não sentiria a mesma – e agradável – sensação que tenho experimentado com frequência. Está bem: nem sempre é assim, mas é melhor do que “quase nunca”. Aliás, dizem os antigos que muito boa memória é sinal de pouco discernimento. Não ter ambos, entretanto, não é vantagem nenhuma.

Imagino que não deve ser muito confortável guardar em detalhes tudo o que se viveu, se viu, se ouviu: não haveria espaço para a invenção, tão importante na construção de quaisquer enredos, ainda que seja impossível refazê-los ao gosto. Dá até pra arredondar, aqui e ali, sem que a verdade seja desprezada. Sim, porque o que haverá de mentira naquilo que for narrado, até a si próprio, o será tão somente por não ser verdade absoluta – um adjetivo que faz toda a diferença.

Mentir navega em outras águas: parte da própria verdade conhecida e nunca esquecida pelo mentiroso, que se torna um voluntário da própria – e não revelada – vergonha (excluo, aqui, os mitômanos e os profissionais da política, por desconhecê-la).

Razão há de ter, mais uma vez, Fiódor Dostoiévski, para quem o meio mais fácil para se lembrar de alguma coisa é se obrigar a esquecê-la, por incômoda.

É quando tanta falta nos faz a desmemória.

28 de maio de 2016

Reajuste para os servidores só no 2º semestre, sinaliza secretário do Planejamento

O secretário Christian Teixeira, do Planejamento de Gestão, é um das figuras de destaque na mesa de negociações do governo do Estado com os servidores públicos.

Convidado do Ricardo Mota Entrevista com reapresentação hoje, no TNH1, a partir das 18h, Teixeira se mostra muito cauteloso com as declarações que dá em torno do tema “reajuste salarial para o funcionalismo”.

O momento, ressalta, “é de muita incerteza. A prioridade do governador Renan Filho é pagar a folha salarial em dia, e não podemos correr o mesmo risco vivido por outros estados mais riscos”.

O secretário afirmou que o Estado teve dificuldades de bancar o pagamento de servidores em vários meses, “principalmente aqueles em que houve queda da arrecadação”.

Daí, a sua declaração de que só no segundo semestre o governo poder acenar com algum reajuste para o funcionalismo.

É a realidade se impondo, deixa claro.

 

27 de maio de 2016

Taturanas: juiz realiza audiência para julgar 9 por improbidade

A gente se esquece dela, mas ela continua por aí a incomodar parlamentares e chefes políticos que ainda têm muito poder em Alagoas.

Falo da Operação Taturana.

Esta semana, o juiz Alberto Jorge Correia de Barros Lima – sempre ele – realizou audiência de uma das ações mais importante envolvendo os acusados do esquema que, segundo a PF, desviou R$ 302 milhões dos cofres públicos estaduais.

O caso, que deverá ter sentença do titular da 17ª Vara da Fazenda Estadual até o início de setembro, trata dos empréstimos feitos pelos parlamentares e que eram pagos com a afamada “verba de gabinete”.

Simples assim: os deputados – ou seus prepostos – tomavam um empréstimo pessoal num banco e o pagamento era feito pela Assembleia Legislativa, através da “verba de gabinete”.

Na Ação por Improbidade que chegou às mãos do juiz Alberto Jorge, depois de passar por dois outros colegas dele, há nove réus. Entre eles os deputados Antônio Albuquerque, Isnaldo Bulhões, além dos ex-parlamentares Cícero Ferro e Gilberto Gonçalves.

O magistrado ouviu, na quarta-feira, as testemunhas apontadas por AA, que ainda solicitou uma perícia.

A decisão sobre a aceitação ou não do pedido do deputado agora no PTB definirá o prazo para a conclusão da Ação.

É o que analisa agora o juiz Alberto Jorge.