3 de maio de 2016

Pezão convida Santoro para voltar à Fazenda do Rio de Janeiro

O secretário da Fazenda George Santoro vem sendo assediado pela assessoria do governador Pezão, do Rio de Janeiro, para retornar ao cargo que ocupava antes de vir para Alagoas.

A resposta, no entanto, tem sido a mesma sempre: não.

Foi o que ele disse hoje, mais uma vez, ao interlocutor que reiterou o convite do governador do Rio.

Santoro, lembramos, foi secretário da Receita – da Fazenda Estadual – do Rio de janeiro até 2014, quando assumiu o compromisso de compor na equipe de Renan Filho.

Ele é um dos mais bem avaliados integrantes do primeiro escalão do governo do Estado, apontado como o principal responsável pelo rigoroso ajuste fiscal feito no ano passado e que tem possibilitado que Alagoas consiga atravessar o ano de 2016 sem descer ladeira abaixo, como o próprio Rio de Janeiro.

Realista

Mas o secretário se mostra realista no que se refere às negociações com os servidores públicos estaduais.

“Este ano vamos enfrentar muitas greves”, diz ele.

E isso parece inevitável.

Mas Santoro ressalta as dificuldades da Fazenda Estadual manter os atuais pagamentos – inclusive da folha – em dia, sem descartar uma piora do cenário financeiro local em função da queda da arrecadação oriunda de Brasília, principalmente.

Esta semana, a Fazenda vai apresentar à toda equipe de Renan Filho uma revisão da previsão de receitas para este ano, para que haja uma adaptação a uma realidade de muitas incertezas.

– Não dá para assumir compromissos que podemos não ter condições de cumprir mais adiante. Este tem sido o rumo apontado sempre pelo governador Renan Filho e pelo qual nos pautamos.

Promulgação da “Escola Livre” deverá ficar com Thaise Guedes

Deverá ser escrito pela deputada Thaise Guedes, 2ª vice-presidente da Assembleia Legislativa, o novo capítulo da novela “A Escola Livre de Nezinho”.

O deputado Ronaldo Medeiros seguirá o exemplo do governador Renan Filho e não irá promulgar a “Lei da Mordaça”, na definição do Sinteal e de educadores perplexos com o conteúdo da matéria.

Na sequência, a partir do dia 9 de maio, o projeto vai paras no gabinete de Thaise Guedes.

Medeiros está na presidência da Casa de Tavares Bastos, em substituição ao deputado Luiz Dantas, que se submete amanhã a uma cirurgia de vesícula, em São Paulo.

Líder do governo na Assembleia, o ex-petista não esconde o quanto está incomodado com o projeto do colega dele, Nezinho, também do PMDB – assim como Thaise Guedes.

Mas ao contrário dele, a deputada votou favoravelmente à matéria, sendo natural que promulgue o que restou da “Escola Livre” (?).

O que todos já sabem?

Que a futura lei será alvo de ações na Justiça.

Almeida deve tirar licença de 120 dias na Câmara Federal

O deputado Cícero Almeida deve mesmo tirar uma licença de pelo menos 120 dias na Câmara Federal.

Mas isso, segundo ele, só ocorrerá quando a eleição estiver mais próxima:

– As coisas devem ficar paradas por lá após a votação do impeachment e com a aproximação das eleições municipais. As chances de eu me licenciar são grandes, neste período.

O parlamentar, agora no PMDB, garante que o seu possível afastamento do Congresso Nacional não tem qualquer relação com o embate que mantém com o PRTB, que quer o mandato conquistado por ele quando filiado à legenda, em 2014.

Há, sim, uma pressão grande da direção peerretebista para que o ex-prefeito perca a cadeira na Câmara Federal. Tanto que o partido espera uma decisão que lhe seja favorável na ação que tramita no TSE, desde o ano passado, quando ele estava no PSD.

Detalhe importante: a questão envolvendo a infidelidade partidária poderia ser facilmente resolvida se o Congresso Nacional aprovasse um projeto de lei em tramitação por lá.

Depois da tal janela da infidelidade, todas as ações neste sentido – perda de mandato – haveriam de perder o objeto. Caso contrário, viveríamos apenas e tão somente uma hipocrisia partidária, amparada em legislação meramente casuística.

Preparativos

Com o apoio da legenda calheirística, o deputado Cícero Almeida começa a montar a sua equipe de campanha, começando pelo comando do marketing, que deve ser o mesmo da eleição de 2004.

2 de maio de 2016

Ação da polícia na redução da violência está chegando no limite?

A redução do número de assassinatos em Alagoas – particularmente em Maceió – é uma notícia que merece destaque, mas não pode nos fazer esquecer a questão estratégica em jogo: a ação policial tem um limite que deve ser atingido em breve.

O problema continua sendo cultural, social e de ausência de políticas públicas em áreas transformadoras da sociedade.

Não é apenas o governo Renan Filho que deixa de investir de forma significativa na cultura, no esporte e no lazer para as comunidades mais pobres. São elas que “oferecem” os seus jovens para a carnificina do dia a dia.

A falta de uma visão humanística dos gestores públicos – nos três níveis – faz com que o Estado continue a apostar apenas na repressão policial, sem competir com o crime na disputa pela mão de obra barata e abundante – e que se renova por força das mortes violentas.

É bem verdade que a demanda geral e prioritária da sociedade é por mais polícia e mais repressão, sem a exigência de passos fundamentais e transformadores.

Como os governantes e seu entorno perderam a capacidade de cumprir um papel histórico de vanguarda, eles terminam por agir sempre baseados em pesquisas de opinião pública, que não apresentam uma aposta no futuro, apenas a solução mais fácil no presente.

Os números continuam melhorando, é verdade, mas ainda são muito altos: foram 609 assassinatos de janeiro a abril deste ano em Alagoas – 6% a menos do que no mesmo período de 2015.

Mas não podemos nos esquecer: nenhuma sociedade no mundo conseguiu avançar apenas com o trabalho de polícia. Esta atua nas consequências, deixando as causas da violência epidêmica e/ou cultura intactas, para que possam continuar a gerar mais violência.

Juiz Celyrio Adamastor será o novo desembargador do TJ/AL

O juiz Celyrio Adamastor será o novo desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas.

Ele vai substituir James Magalhães, que morreu no final de semana depois de um longo embate com o câncer.

A vaga aberta será preenchida pelo critério de antiguidade e deverá seguir os trâmites burocráticos, que devem ter início esta semana.

A expectativa é de que Celyrio Adamastor seja nomeado para o pleno do TJ ainda este mês.

Uma curiosidade: o segundo nome na lista de antiguidade para o cargo de desembargador Tribunal de Justiça de Alagoas é o do juiz Orlando Rocha. Detalhe: com a diferença de apenas um dia em relação a Adamastor.

Vaga no TRE

Com a nomeação do novo desembargador também se abre uma vaga no Tribunal Regional Eleitoral, que será ocupada pelo juiz Paulo Zacarias.

Justiça cobra e fantasma de Fernando Toledo assombra Assembleia

O conselheiro do Tribunal de Contas  Fernando Toledo deixou a Assembleia Legislativa no final do ano de 2014, mas o se fantasma continua rondando nos corredores da Casa de Tavares Bastos.

Pior: assustando o seu sucessor na presidência da Mesa Diretora, deputado Luiz Dantas.

Ele está sendo intimado pelo juiz Alberto Jorge Correia de Barros Lima a apresentar, de imediato, todo o processo de escolha de Toledo para a vaga de conselheiro.

O magistrado dá sequência à Ação Civil Pública movida pelo MPE ainda em dezembro de2014, com decisões contraditórias em pelo menos duas instâncias.

O titular da 17ª Vara Cível da Capital/Fazenda Estadual estabeleceu uma multa – pessoal – de R$ 5 mil para cada dia em que o deputado Luiz Dantas atrasar a entrega da documentação solicitada, que deve incluir até mesmo a sabatina a que Fernando Toledo teria sido submetido.

Mas há um problema: até a sexta-feira passada, o presidente da Assembleia não havia sido noticiado da decisão do magistrado, que dá um prazo de cinco dias para o atendimento da determinação.

Quando isto acontecerá?

Pois é – quando?

Renans focam em Palmery Neto para vencer família Toledo em Cajueiro

O ex-prefeito Palmery Neto é o nome da vez dos Renans, pai e Filho, na disputa pela prefeitura de Cajueiro.

Atualmente, o município é administrado pela ex-deputada Lucila Toledo, esposa do conselheiro do TC Fernando Toledo – que pode até não disputar a reeleição e ser substituída por outro integrante da família.

Pelo sim, pelo não, o governador tenta puxar o petista Zé Carlos, um nome sempre em destaque e competitivo na política de Cajueiro, para uma dobradinha com Palmery Neto, que está filiado ao PMDB (e é também da família Toledo).

Está difícil juntar os dois adversários, mas Renan Filho – com o auxílio do pai – não quer correr o risco de perder a eleição para a família Toledo.

O objetivo do governador e do PMDB – leia-se Renan pai – é eleger 1.499 prefeitos (digo 3.999) no interior de Alagoas, este ano.

1 de maio de 2016

Me and Billy Paul

Eram anos, aqueles, em que assalto para nós tinha sabor de festa e prenúncio de romance. Assustado, uma variação sobre o tema, não era uma referência ao brasileiro urbano dos dias de hoje. Pelo contrário, soava como o convite a uma noitada de olhares, toques e – se tivesse alguma sorte – de boas lembranças para o travesseiro.

Foi por aí, início dos anos de 1970, que a voz inconfundível de Billy Paul chegou aos meus ouvidos “pelas ondas da Rádio Mundial”, precursora das FMs. Me and Mrs. Jones logo se tornou um hit para a garotada, fosse a turma do colégio, fosse o bando da vizinhança.

Era música de ouvir e de dançar. Sim, porque havia isso: muitas canções funcionavam maravilhosamente para harmonizar os passos no salão, seguindo a divisão previsível e fácil dos “dois pra lá, dois pra cá” (Bread era imbatível). Já o repertório para ouvir na radiola instalada na sala de visita da nossa casa, na Buarque de Macedo, quase sempre era outro.

Beto, meu irmão mais velho, e eu disputávamos o domínio territorial, ainda que temporário, do simplório equipamento que espalhava música no ambiente e que envelheceu celeremente como toda minha geração. Quem chegasse primeiro era o DJ da hora – e todos ouviam sem desprazer.

Ele, roqueiro de qualidade, ia de Emerson, Lake & Palmer, Beatles e outros não menos cultuados. Eu, já muito cedo fã da MPB, preferia Chico, Caetano, Gil, Paulinho e os artistas de quem eu aprendera a gostar pelos ouvidos de seu Luiz Mota e de dona Lucinha, escandindo em réplica as palavras que me chegavam embaladas em notas musicais e me sabiam à poesia.

Nas festinhas – assaltos ou assustados -, que realizávamos a um custo compatível com o nosso bolso, Billy Paul virou presença obrigatória, quase uma lenda, e nos fazia flutuar de olhos fechados. Soava romântico, e eu sempre fui um tolo e incorrigível romântico – fazer o quê?

No início da semana passada, ao me deparar com a notícia da morte do intérprete de Me and Mrs. Jones, tratei de ouvi-lo mais uma vez no caminho para o trabalho e o fiz com o mesmo prazer do adolescente capturado na memória. Porque a música tem disso: transporta-nos no tempo e no espaço, acumpliciada com a nossa imaginação, e esta trata de dar às lembranças o roteiro que lhe apraz.

É inegável que nas casas já não se toca mais tanta música como na era da Rádio Mundial, sob o comando de Big Boy, um professor de filosofia no Rio de Janeiro (de onde era a emissora) e que, mutatis mutandis, se tornou o disc jockey preferido e inaugural de várias gerações.

Por aqui, as rádios Progresso e Palmares também marcaram a época de uma qualidade perdida pelos veículos de comunicação de massa. O que hoje toca não me toca. Continuo ouvindo os discos do começo ao fim, como sempre fiz, dos meus preferidos, que estão cada dia melhores. Teimosia da idade? Eu diria, repetindo os modernos, que é a resiliência da memória afetiva.

A tecnologia, para o bem de todos, nos possibilita hoje ouvir música em qualquer lugar – basta ter um celular. E se não há mais as audições coletivas, o compartilhamento musical nas casas, é apenas a confirmação de que o giro do mundo prossegue célere e inexorável, alterando gostos e costumes.

Eu só lamento é que a garotada de hoje, que há de assumir o comando da história, ao se deparar com a palavra “assalto” não possa se imaginar a sair por aí, dançando e planejando paixões. Quem sabe até com a sua própria Mrs. Jones, ainda que pareça “errado”.

30 de abril de 2016

Kelmann Vieira: “Pensaram que eu seria pautado pelo meu sogro”

A frase, algo contundente, do vereador Kelmann Vieira, agora no PSDB, veio em resposta a uma indagação deste velho jornalista que vos fala.

O presidente da Câmara Municipal de Maceió é o convidado desta semana do Ricardo Mota Entrevista, na TV Pajuçara.

Ele ressaltou, na conversa que trata de eleição, mudança de partido, a relação dele com o sogro, deputado (no exercício) Cícero Cavalcante – um personagem polêmico -, que vai seguir a carreira política, mas voltará a exercer a atividade de que mais gosta: de delegado da Polícia Civil.

Se ele ainda guarda a expectativa de vir a ser o candidato a vice na chapa de Rui Palmeira?

Como foi a conversa com o governador, o sogro e a mulher, sobre a saída do PMDB para o PSDB?

Ele responde, de forma objetiva, sem tropeçar nas palavras.

Um bom papo, que vale a pena conferir.

Ricardo Mota Entrevista

Domingo, às 10h30 na TV Pajuçara

Convidado: vereador Kelmann Vieira, presidente da Câmara Municipal de Maceió.

 

 

29 de abril de 2016

Depoimento de 12 horas de empresário preso pelo Gecoc é “devastador”

Para quem se espantou com a decisão do Ministério Estadual de pedir a soltura, ainda ontem, do empresário Luciano Lima Lopes, preso pela manhã, ficaria ainda mais espantado se conhecesse o conteúdo do depoimento prestado por ele aos promotores do Gecoc.

Eis o que me disseram: “Foi devastador” – e só isso.

Foram quase doze horas de revelações, desvendando os mistérios de um esquema fraudulento em pelo menos vinte prefeituras do interior – e Câmara Municipais também.

A colaboração oferecida pelo personagem conhecido como Luciano Cabeça vai facilitar, e muito, o trabalho do MP.

É claro: diante de tudo que foi detalhado pelo empresário, há, sim, uma preocupação com a segurança dele. Até porque o esquema, entende o MP, envolve muita gente da área política e também outros empresários.