Essa deveria ser uma ótima notícia para as mulheres, ou pelo menos parecer uma melhor valorização no mercado, mas não é bem assim.

Os dados são de uma pesquisa recente publicada pelo LinkedIn, chamada Gender Insights Report, clique AQUI para baixar (Em inglês). O relatório foi feito após pesquisa com mais de 600 milhões de usuários da rede social, entre pessoas e empresas de vários segmentos e em mais de 200 países.

Porque a notícia não é boa? Simples, as mulheres tem a inclinação de serem mais contratadas, porque se candidatam menos à vagas. Deixa eu explicar melhor, segundo a pesquisa as mulheres se candidatam 20% a menos vagas que os homens, ou seja, elas só entram em vagas que se sentem realmente preparadas, enquanto os homens atiram para tudo que achar válido ou “interessante”. Essa diferença ainda aumenta em cargos “sênior” chegando a 18% mais chances de contratação que os homens.

“Se as mulheres só se candidatam quando se sentem extremamente qualificadas, faz sentido que elas tenham uma taxa maior de sucesso, mas isso também pode indicar que elas não se sentem encorajadas em oportunidades com maior risco” diz trecho do relatório.

Dados como esses nunca serão bons enquanto ainda mostrarem mulheres se sentindo desencorajadas a arriscar no mercado de trabalho, e veja que em momento nenhum eu mencionei sobre desigualdade salarial, a pesquisa é sobre comportamento em recolocação profissional, o salário é outro ponto. Ou seja, ainda tem algum caminho para que possamos falar de forma mais equilibrada sobre igualdade no mercado de trabalho.

Pois, se as mulheres tem barreiras pessoais para se candidatar, o relatório ainda mostra que os perfis femininos tem 13% menos chances de serem analisados. O que aumenta ainda mais esse desequilíbrio. Fora que mulheres tem 26% menos probabilidade de pedir uma indicação ou referência, o que também me faz pensar no porque, será que é desconfortável “dever” um favor ou o medo da possibilidade de ser “cobrada” por isso com um jantar, as deixam receosas?

Outro dado interessante do relatório é que, para 68% das mulheres “Salário e benefícios” são muito importantes, para homens esse dado cai para 58%. Porém, para homens oportunidade de crescimento a longo prazo na empresa é 6% mais importante do que para mulheres.

No mais, o que esse relatório demonstra é que ainda precisamos pensar sobre isso, olhar para dentro dos ambientes que trabalhamos, que estamos inseridos e convivemos, entender se todos ali se sentem igualmente favorecidos. Eu tento fazer isso na minha empresa, já até demiti funcionário por machismo, tentou se envolver com a funcionária, ela não quis, ai começou a tratar mal, me foi denunciado, averiguado e desligado, é triste, mas ainda ocorre.

Que nos próximos relatórios esses números mudem, melhorem, se queremos uma mercado mais equilibrado quando se fala de gênero, os envolvidos primeiramente precisam se sentir assim.

É isso.

  • Alberon C.

    As portas deveriam abrir pra todos, independente de gênero.
    Tem trabalho que as mulheres fazem melhor, que nós homens.