As 5 lições empreendedoras no filme do Queen – Olhar Empreendedor

O que você pode aprender sobre empreendedorismo assistindo ao filme Bohemian Rhapsody.

Primeiramente, se você não assistiu ao filme, o texto poderá conter spoilers (se não sabe o que é spoilers, é tipo o tio chato que conta os finais dos filmes). Essa não é uma resenha sobre o filme, é sobre minha percepção das lições que acredito que valem a pena serem observadas pelo lado empreendedor, então, não estarei falando sobre atuação ou se o filme é bom ou ruim.

Resolvi publicar só agora porque já tem um tempo de lançado, e acho que muita gente já tenha assistido, acredito que nem tudo ali exposto pode ser verdade, claro que a função do filme é romantizar a história, mas como gosto de Queen desde sempre, acho que a linha dorsal da trajetória da banda está contada de forma mais verídica. Bom, agora vamos as 5 lições empreendedoras do filme:

1 – Saber enxergar e aproveitar as oportunidades: logo no início vemos Freddie observando e curtindo uma banda que ele gosta da faculdade. Resolve mostrar que compõe e descobre que o vocalista saiu, ele pensa por um segundo e se oferece para ser o vocalista, e imediatamente é zoado por conta dos dentes, ele se vira, sai, dá uns passos, mas eis que… ele para e começa a cantar, óbvio isso muda tudo.

Freddie poderia ter virado as costas e ido embora (sobe as letras e acaba o filme). Nós fazemos muito isso, na primeira dificuldade, a primeira pessoa que diz que vai dar errado, paramos, travamos, desistimos, já pensou, só pensou, se ele tivesse desistido ali? Não se entreguem facilmente, se alguém disser que sua ideia, projeto, negócio não dará certo, “cante”, quem valida de verdade é o mercado, sempre. Claro que você pode contar com pessoas que podem te ajudar, para que os erros sejam minimizados, mas opinião só por opinião, ouça, porém não deixe isso apagar o seu talento.

2 – Acreditar no seu negócio e correr riscos: Quando a banda está completando um ano com Freddie Mercury no vocal, viajando para um show a van quebra, e parados na estrada começam a conversar, na conversa Freddie diz: “vamos gravar um disco”. Todos se olharam, vamos gravar como? não temos dinheiro. Ai vem a resposta: “quanto vale essa van?”. Embora um membro tivesse discordado eles venderam a Van, se não tivessem vendido a van, não teriam pago o estúdio, não teriam gravado o disco e o olheiro da EMI jamais teria ouvido eles no estúdio, mais uma vez, quase não tínhamos o Queen.

Muita gente que tem vontade de abrir um negócio, ou que tem uma startup, precisa ou quer que alguém invista nela, empreste dinheiro e etc. Muitas dessas pessoas falam comigo, pedindo opinião, indicações ou caminhos para seguir em frente e eu sempre pergunto a mesma coisa: “o que você já sacrificou pelo seu negócio ou ideia?”. A maioria infelizmente nem tempo as vezes investe, ai eu pergunto: “se nem você acredita no seu negócio a ponto de sacrificar, como vender um carro, passar noites sem dormir, para pesquisar e tentar validar sua ideia, porque alguém deveria fazer isso por você?”.

Tudo precisa partir primeiramente de você, do seu grupo, dos sócios, enfim, dos envolvidos, as pessoas vão acreditar no que você acredita, então acredite, pesquise, saiba o porquê pode dar certo e também saiba os motivos pelos quais pode não dar, entender o contexto e o mercado que você quer estar inserido dará muito argumento para conversar com investidores, parceiros e assim vai. Não precisa vender tudo que você tem, mas calculadamente você precisa sacrificar algo se acredita que pode ter algo maior no futuro.

3 – Entender o mercado: existe um momento que pra mim dividiu águas sobre a maturidade da banda, quanto gravaram a música tema do filme Bohemian Rhapsody, eles sabiam o que queriam, e não queriam o trivial, não queriam fazer o que todo mundo já fazia, eles eram o Queen, queriam algo diferente, algo deles e único. E no meio da discussão onde a banda queria colocar na rádio a Bohemian e o diretor da gravadora não queria, porque não gostou da música e disse que uma música de 6 minutos não tocaria nas rádios, chegou um momento que ele falou “eu paguei pela gravação e a decisão é minha”. Pois é, não chegaram a um acordo, e isso os fizeram deixar a gravadora, que segundo Freddie: “ficaria conhecida por perder o Queen” e ficou.

Bom, não estou dizendo pra ninguém aqui sair discutindo e se achando o bonzão, geralmente quem faz isso nem é tão bom assim, mas o ponto aqui pra mim foi outro, a banda conhecia tão bem o mercado que era inserido e sabia exatamente o que queria oferecer, claro, era um risco também, nada tem 100% de chance de dar certo, porém acreditar no que se propõe faz toda a diferença. Dinheiro é só dinheiro, mesmo você pensando ao contrário, ele continuará sendo somente dinheiro. Algo extremamente necessário, porém não pode ser tudo, se somente ter dinheiro fosse a solução, não existiriam investidores, cada um ficava com o seu guardado.

O lance é, pessoas que tem dinheiro, as vezes, não sabem exatamente o que fazer com ele, não tem grandes ideias, nem grandes projetos e eles investem nos projetos dos outros, no talento dos outros, em outras empresas, compram outras empresas, então neste caso quem tem a ideia vale tanto quanto quem tem o dinheiro, as vezes até mais, mas lembre-se do que eu disse anteriormente, se você não se sacrifica pelo seu projeto não será uma pessoa com grana que fará, ela entenderá que você acredita tanto no projeto que se sacrifica, ai ele coloca o dinheiro dele também, o nome disso é parceria.

Saber dizer não também é bem importante. Recentemente eu tentei investir em uma empresa, sentei com eles, conheci, observei, gostei muito, coloquei um preço para ser investidor e levei um não. Simples, não era o momento pra eles, que estão crescendo bastante no momento. Não se vendam, por nada, saibam e confiem no seu projeto, não mude nada porque alguém com dinheiro quer, você pode moldar algo porque alguém com conhecimento ajudou e aconselhou, mas mudar porque se vendeu, geralmente é fracasso certo.

4 – Importância do reconhecimento dentro de uma sociedade: vocês repararam que eles brigavam muito pra gravar, ou pra decidir a música, enfim discutiam pra quase tudo, mas no final havia um respeito que gerava um resultado incrível? Pois é, ali retrata muito bem o que é uma sociedade, ter sócios é aquilo mesmo, brigas e mais brigas, porém a grande diferença é que no Queen (pelo menos no filme) eles respeitavam o talento de cada um, e mesmo depois das brigas, o que prevalecia era o que era bom pra banda e o resultado, bom você já deve ter ouvido algum “resultado” nas rádios.

Você já deve ter ouvido falar que ter sócios é pior que casamento, porque no final das discussões não rola nem um beijinho pra amenizar.  Vamos lá, primeiro é preciso entender que as pessoas são diferentes, parece obvio, mas esquecemos disso o tempo todo. A maioria das discussões societárias são baseadas em achismos, um acha uma coisa outro acha outra, porque se fossem baseadas em o que é melhor para a empresa com base no mercado, pesquisas e dados, rapidamente veriam que todas as ideias são validas e podem ajudar, as vezes até combinadas, mas o que nos cega é a vontade de querer estar certo.

Estou dizendo que sou o melhor sócio do mundo? perguntem para os meus, sou péssimo, aliás já fui bem pior, mas aprendi que dados, mercado e estratégias são os melhores argumentos. Reconhecer que não podemos fazer tudo e que outra pessoa pode fazer algo melhor que a gente é libertador, falar em dor, em aprendi isso com muita dor, horas de discussões, sem chegar a nenhuma conclusão. Muitas empresas no final fecham por essas discussões. Adianta? Não. Somem talentos, não pessoas que disputam quem tem mais persuasão, a empresa agradece e no final todo mundo ganha. Nem sempre a sua Ideia será a mais genial.

5 – Riscos calculados: Freddie sai do Queen por um período para gravar seu solo, influenciado (segundo o filme) ele pede um tempo para poder gravar um disco solo, antes de sair e bater a porta alguém diz: “Freddie, você está acabando com o Queen, você precisa da gente e vai descobrir isso”. Ele não ouve, sai e quase acaba com a sua vida, não só musical, mas pelas drogas e farras intermináveis. Enfim ele contrata uma banda, grava seus 2 discos, que não se comparam ao Queen, tipo pessoal ruim mesmo. O que acontece? Ele descobre que realmente precisa da banda e volta todo manso e pede perdão.

Neste item número 5, temos uma mistura sobre o item 4, já que Freddie por algum momento esqueceu que ele não era o único talento ali, saiu e viu que a banda era forte junta. Porém o pior é se arriscar sem calcular os riscos. No Brasil, já que estamos falando de música, temos muitos exemplos de vocalistas que saíram das bandas e simplesmente sumiram. Mas o principal, no caso do Freddie Mercury, foi querer seguir um novo mercado, sozinho, do jeito que ele achava melhor.

E foi tão de impulso que ele esqueceu de calcular os riscos disso, e nas empresas não é diferente, tem muito empresário que nem está fazendo bem o que se propôs a fazer e já quer entrar em outros mercados, arriscar o dinheiro da sua empresa em outras coisas, que geralmente dão em nada, e o pior, podem gerar o fechamento da empresa que estava dando lucro e agora banca o prejuízo de outra. Explorar outros negócios é bom sim, não estou dizendo o contrário, mas existem maneiras de fazer isso. Aqui no Brasil por exemplo, voltando para a música, Renato Russo gravou um disco em italiano e não precisou acabar com o Legião Urbana por conta disso.

Toda empresa precisa correr riscos, não há inovação ou crescimento sem riscos, mas eles precisam ser calculados, compartilhados com os demais envolvidos na empresa, para que todos se unam caso algo saia fora do planejado, não adianta depois ficar naquele do “eu avisei”, isso é ridículo, não ajuda em nada e só desgasta o quadro societário.

Então, essa foi minha visão empreendedora sobre o filme, se você já viu o filme, veja com outros olhos, podemos aprender muito com várias fontes, incluindo filmes, se você ainda não viu, espero ter lhe deixado com vontade de ir ver.

Valeu, tchau e cantem comigo… “Mamaaaa, ooooooh, didn’t mean to make you cry, If I’m not back again this time tomorrow. Carry on, carry on as if nothing really matters”