Se o mercado de imóveis em São Paulo parece caminhar a passos largos, após a notícia do crescimento exponencial da venda de imóveis residenciais no início desta semana divulgado pelo Secovi, especialistas já esperam um rápido reflexo nas capitais do Nordeste.

Desde fevereiro, os números de vendas e lançamentos estão saindo superiores aos registrados no ano passado, quando comparados os dados mensais.

Há quem diga que esse é um dos primeiros resultados concretos de pós-crise no país depois do incentivo dos bancos com a renegociação de dívidas. A Caixa Econômica por exemplo, puxou a ideia para recuperar parte do aporte financeiro perdido com o endividamento.

A decisão ganhou repercussão, quando o banco mostrou interesse em reduzir os juros das dívidas de 3 milhões de pessoas agora em junho. Isso ocorreu logo que a previsão do número de inadimplentes no país saiu, no fim de maio. Um recorde de 63 milhões de pessoas com dívidas atrasadas, significa mais de 40% da população adulta do país.

Segundo o economista da Serasa, Luiz Rabi em entrevista ao Jornal Nacional, o recorde de endividados é um sinal preocupante, porque a inadimplência junto aos sistemas financeiros, é um sinal de que os consumidores não estão conseguindo pagar praticamente nenhum dos seus credores, tentando preservar o banco o máximo que podem, para não perder nenhum cheque especial e nem o cartão de crédito.

A renegociação proposta pela caixa é a primeira de cinco medidas e vai contribuir para que os consumidores limpem o nome, trocando dívidas com “taxas abusivas” por crédito mais barato.

Acredito que com um desconto de 40% a 90% em débitos, o mercado imobiliário poderá ensaiar uma melhora significativa nos próximos 90 dias, tempo estabelecido pela instituição financeira para que os clientes possam aderir a oportunidade.

Só no Nordeste, 23% dos endividados com o banco irão se livrar das cobranças. Junto a isso, o corte de juros no crédito imobiliário vai oferecer novas alternativas para renegociação de financiamento habitacional em atraso, isso quer dizer que com a recuperação de R$ 1 bilhão com a regularização, haverá uma retomada do consumo imediato.

A ideia democrática da instituição, que estabeleceu a mesma taxa de juros para as classes mais baixas e alta foi bem avaliada pelos economistas, já que surgiu em um momento em que o governo precisa de uma ajuda para a retomada da economia, após o PIB recuar 0,2% no primeiro trimestre do ano. O que se espera então é que nos próximos meses a população planeje gastos e aproveite as boas condições para adquirir crédito, havendo assim, a possibilidade das vendas de imóveis aumentarem em boa parte do país.

 

Correção perigosa

Uma nova modalidade de crédito ainda deve ser anunciada pela CAIXA. Nessa opção, os juros serão atrelados ao IPCA , e não à TR, como ocorre hoje. Assim, o financiamento de imóveis pela Caixa Econômica Federal poderá ficar mais caro já que o indexador dos novos contratos será fixado pelo índice oficial da inflação, IPCA.

Essa novidade deve causar uma certa pressão sobre o custo do financiamento imobiliário devido à grande oscilação do índice de inflação em um período longo de tempo.

Os demais bancos como, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander, por enquanto não manifestaram intenção de usar o índice.

Na opinião dos especialistas, o motivo para tal mudança está na necessidade do banco de buscar novas fontes de recursos junto a investidores para poder emprestar. Já para mim, a Caixa não deixou isso tão claro em suas declarações, por isso enquanto esse índice não for fixado, meu conselho seria realizar a compra de imóveis agora, se a intenção for manter os juros estáveis, já que a economia passa por uma fase de oscilação.

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