Se a competitividade entre imobiliárias e corretores autônomos nos centros urbanos já é um grande dilema no atual mercado, a venda de imóveis rurais passou longe disso.

Esse segmento viveu momentos de esquecimento e até mesmo contrariou a tendência nacional de desemprego, um nicho pouco desbravado, que atravessou anos com escassez de profissionais.

A realidade do mercado rural de imóveis veio à tona, depois que a demanda pela procura de imóveis e terrenos na região, aumentou nos últimos anos, forçando uma postura especializada para quem já trabalhava no ramo de maneira informal.

Essa semana assistindo a entrevista de um corretor habilitado nessa área no Canal Rural do Uol, constatei os motivos para a tal falta de interesse dos corretores com a modalidade.

São dois os fatores principais; falta de recursos para investimento, já que muitos terrenos e imóveis ficam longe da cidade, e depois a pouca divulgação dos serviços desses profissionais nos interiores, onde a disseminação da informação é reduzida.

Embora essa realidade ainda persista, hoje já há mais pessoas interessadas nesse ramo. Quem percebeu a possibilidade se inserir nesse mercado antes dessa evolução angariou uma ampla cartela de terrenos, e consequentemente de clientes.

Uma rede de corretores rurais do sul do país investiu na profissionalização de especialistas do setor agropecuário que já possuíam alguma noção da área, para agregar conhecimento sobre corretagem. Esse processo de aprendizagem dura em média 9 meses e soluciona em partes, o maior problema enfrentado na área: a falta de qualificação.

A ideia tem dado certo e já se espalhou por 14 estados. Para o proprietário da empresa, o corretor Nilo Ourique, alguns estados não se envolvem por falta de profissionais interessados nesse ramo, o que é ruim, porque com a informalidade o nível do serviço cai, dando margem ao cliente criar expectativas ilusórias, muitas vezes, por falta de uma informação mais assertiva, ou seja, conhecimento.

“O mercado rural de imóveis é muito grande, porque o agro já é um setor em constante progressão, e esse mercado precisa se profissionalizar e evoluir na mesma intensidade”, mencionou em entrevista.

Embora os preços das terras agrícolas tenham continuado a apresentar oscilações expressivas em algumas regiões do país em 2017, as incertezas políticas e econômicas que marcam a cena nacional frustraram a expectativa de retomada de negócios, de acordo com Anuário da Agricultura Brasileira em 2019.

Mesmo nesse cenário, a terra se torna uma maneira segura de investir o dinheiro, sendo a última coisa que um produtor rural vende, o que reflete as poucas notícias de negócios efetivamente fechados em 2017 e 2018.

Havia um temor de que essa tendência fosse se generalizar, mas isso não aconteceu. Apesar das raras compras e vendas, os valores das terras agrícolas continuam a subir e descer. No momento acredito que o mercado de terras agrícolas carece de uma pesquisa de dados sobre transações realizadas, para enfim realizar estudos mais aprofundados sobre a área, que está evoluindo ano após ano.

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