Não é novidade que muitas pessoas usam o FGTS para investir em um novo imóvel. Desde o primeiro semestre de 2018 por exemplo, um aumento expressivo de 18% foi registrado nos saques deste fundo, em relação ao ano anterior.

Até 2021, a expectativa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é a de que o valor utilizado para o financiamento habitacional chegue a R$ 50 bilhões.

No entanto, o benefício que pode ser usado por trabalhadores celetistas, está preocupando especialistas do setor imobiliário, já que o governo federal pode liberar saques de contas ativas do Fundo, forçando uma redução tanto na concessão de financiamentos quanto na aquisição de imóveis pelo consumidor final.

Isso acontece porque, com grande demanda de saques, o fundo se torna escasso para quem quer utiliza-lo como forma de concessão de financiamento. Tudo funciona em cadeia, se não tem fundo, não há financiamento habitacional e sem financiamento não tem venda de imóveis.

A medida anunciada pelo governo após a retração da economia em 0,2% no primeiro trimestre do ano, é bem semelhante a que foi tomada por Temer em dezembro de 2016, quando liberou o fundo para saque de contas inativas trazendo um posterior dinamismo para a economia naquela época.

Por enquanto que esperamos essa liberação ocorrer ou não, há a possibilidade dos recursos serem aplicados de acordo com o previsto por lei, mas não há como avaliar o real impacto no mercado imobiliário sem saber quais serão as condições aprovadas para o saque do FGTS. Até onde se sabe a efetivação real se daria próxima, ou só após a concretização da reforma da previdência.

A injeção de recursos na economia por meio da liberação de recursos do FGTS pode ajudar a economia, mas apenas em curto prazo, de acordo com especialistas, repetindo a dose de 2016.

Porém como já dizia o consultor do Senado Pedro Nery durante entrevista ao Uol: “O essencial é que a gente saiba que não existe pote de ouro ao fim do arco-íris em qualquer lugar”, ou seja, a medida anunciada não resolveria todos os problemas econômicos do país.

Um exemplo disso? Basta pensar que a liberação incentivaria um consumo maior, o que geraria estímulo à produção e, como consequência, haveria o aumento de empregos e salários por outro lado, o setor da construção civil, se recusa a aceitar a proposta, pois os recursos do fundo são usados para financiar programas de habitação, com saneamento e infraestrutura assegurados em juros menores do que as taxas de mercado.

Há pelo menos 165 projetos de lei que propõem mudanças de regras para o FGTS, a maioria deles propondo permissão para que os trabalhadores usem os recursos em outras situações como para a execução de projeto de acessibilidade em imóvel próprio; custeio de despesas com educação e qualificação profissional; pagamento de cirurgias essenciais à saúde; casos de adoção ou nascimento de filho, além do uso para o pagamento de dívidas inscritas em cadastros de inadimplentes.

Bom, é lógico que com essa gama de opções para solucionar problemas de necessidades pessoais, a preocupação seria com o investimento na casa própria, que pode se tornar por um curto período, a segunda opção para algumas famílias.

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