Tem estabelecimento que acha que consumidor é bobo. Outro dia, andando pelo corredor de um supermercado, me deparei com o anúncio de um produto com desconto. Quando cheguei mais perto pra ver, o desconto era de apenas 10 centavos!! E isso estava nas letras miúdas, viu?  Daí eu pergunto: pra que fazer um negócio desse?  Gastar cartolina, caneta permanente pra escrever e fazer propaganda de um desconto insignificante? Acho isso uma enganação!  Falta de respeito com o consumidor.

O pior é que muitas vezes isso passa despercebido, porque as pessoas vão logo no desconto e não olham os detalhes, os pormenores.

E não pense que essas promoções são aleatórias.  O marketing usa inúmeras estratégias para fisgar o consumidor nos supermercados e vender mais. O preço psicológico é uma delas. A ideia é fazer com que o consumidor pense que está fazendo um bom negócio.

Essa técnica tem o objetivo de atingir o subconsciente das pessoas para que os preços e descontos pareçam mais vantajosos e a dor de gastar o dinheiro diminua.

Vou dar alguns exemplos de como o varejo utiliza esses truques:

Um centavo a menos no preço

Você já deve ter se perguntado por que os preços terminam em 99, já que nem existe moeda de um centavo no mercado para dar de troco. Pois saiba que essa é uma das estratégias mais usadas para vender mais, principalmente no varejo.

Diminuir um centavo de um preço arredondado causa a sensação de que um produto está mais barato. Quando vemos o preço R$ 99,99, o nosso cérebro  está predisposto a entender “99”, ao invés de “100”.

Além disso, a redução no preço traz a falsa sensação de desconto e minimiza o sentimento de “culpa” dos consumidores.

Parcelas menores

Um produto que custa R$ 300,00 pode parecer caro, já 10 parcelas de R$ 29,90 parece ser bem melhor, não é mesmo? Pois aí está o truque!

Mostrar o preço dos produtos em parcelas faz com que as pessoas comparem (subconscientemente) o preço da parcela do seu produto com preços mais caros dos concorrentes.

Além disso, como o valor da parcela é muito menor do que o preço total, o nosso cérebro fica com a falsa sensação de que o produto não está tão caro.

Descontos no final do mês

Já reparou de que no final tem mais descontos nos supermercados? E isso é proposital. É que no começo do mês a situação financeira costuma ser mais confortável e mesmo que os descontos não sejam tão grandes, as pessoas tendem a comprar. Por exemplo, imagine que você tem mais de R$ 1000,00 na sua carteira e, de repente, você encontra um produto em promoção que custa R$ 50,00. Você quer este produto e você tem mais de R$ 1000,00. Então, você pensa: por que não comprar?

Agora, se você tiver somente R$ 100,00, na carteira, a situação muda. Mesmo que esteja na promoção, aquele mesmo produto que custa R$ 50,00 vai lhe parece muito caro. Isso acontece porque quanto menos dinheiro as pessoas têm, maior é o “sofrimento” e a sentimento de culpa ao gastá-lo.

Preço por quantidade

O consumidor está sempre procurando vantagens, por isso anúncios  como: Pague 2, leve 3, Leve outra unidade por apenas + R$0,01 e Pacote com 20% extra GRÁTIS são um prato cheio pra fazer a gente gastar. Quantidades “extras” e “sem custos” nos produtos ativam nas pessoas a sensação de vantagem.

Mas é preciso cuidado nessa hora! Veja se o valor unitário compensa, compare os preços antes de comprar e avalie se realmente precisa do produto. Não adianta fazer estoque só por que o produto tá barato.

As armadilhas e truques do consumo são muitas, por isso, é importante estar atento e fazer bom uso do seu suado dinheirinho.

  • nivaldo

    aqui nesse posto ipiranga na entrada do conjunto jose tenorio tem uma propaganda enganosa ,ou seja, eles colocam o preço menor da gasolina numa placa bem grande e quando a gente para abastecer o preço menor so é valido se tiver o aplicativo do posto,acho isso errado.

    • Maria Maciel

      Também já caí nessa, Nivaldo. Se a gente não olhar as letrinhas miúdas com atenção, o barato sai caro.