Até que enfim, o mundo do futebol conspirou para o CRB
É uma honra copiar

Não é uma situação confortável para mim. Sou policial, ocupo uma situação de comando de um batalhão. Mas preciso me posicionar, em função da minha atuação como cronista, falar sobre o assunto que tomou conta após o clássico de sábado, no Rei Pelé.

Ouve um erro na estratégia traçada pela Polícia Militar de conduzir o torcedor do CRB dando a volta em torno do Rei Pelé, cruzando a Rua Cabo Reis e chegando na Av.Siqueira Campos, onde ainda existiam torcedores do CSA e o confronto, a sensação de insegurança, foram inevitáveis.

Conheço os policiais que planejaram as ações e sei da intenção e da qualidade deles no direcionamento e no planejamento do trabalho. A coisa foi pensada de uma maneira, mas a execução trouxe problemas.

Houve problemas na saída do torcedor e foram problemas que a própria polícia admite, mas também existiram acertos, como na chegada dos torcedores. Recebi mensagens que foi tudo tranquilo, que nem parecia que era clássico.

Além do problema do local por onde os torcedores foram liberados, o tratamento dado aos torcedores não pode –  não deve e não existe orientação para isso – ser generalizado, colocando na mesma vala comum torcedores e os vândalos, aqueles que causam os problemas. O sociólogo Mauricio Murad , um dos maiores estudiosos sobre a violência no futebol, explicar que o percentual de vândalos é entre 5 e 7%, ou seja você tem 93 a  95% de pessoas de bem, que buscam apenas assistir o jogo, acompanhar seu time e este ‘pessoal’ não pode ser tratado como marginais, como tumultuadores.

Liberar a torcida pela rampa de acesso oferta aos torcedores que deixaram os carros no estacionamento do Rei Pelé, três opções de escoamento: lagoa, praia e centro. Os outros torcedores que utilizam ônibus tem um ponto no mesmo setor em frente a Veleiro, desde que na Siqueira Campos exista um bloqueio para a torcida que já foi liberada não retorne para aquele posicionamento e ainda aqueles que moram nas redondezas e que vão a pé podem escolher estes caminhos para retornarem as suas residências.

É importante que o torcedor possa repassar estas informações e que a Polícia Militar possa ouvir as críticas, as observações e em cima disto, possam modificar a ação para os próximos jogos, evitando que pessoas de bem sejam tratadas de forma incorreta ou corrigir o erro cometido neste jogo. Tenho informação que a Polícia sabe onde evoluiu e no que errou para os próximos jogos.

É preciso dizer que também houve acerto. A Polícia Militar conseguiu apreender uma grande quantidade de artefatos explosivos na sede de uma torcida organizada, evitando a utilização destes materiais para um confronto, agindo com inteligência e de forma preventiva. Como já foi explicado, a chegada dos torcedores também funcionou de maneira positiva, o monitoramento nos bairros, locais nevrálgicos onde aconteciam tumultos, também foi controlada.

A estratégia foi pensada para evitar problemas, evitar o confronto, mas a execução trouxe problemas. É corrigir, buscar sempre o respeito ao cidadão e seguir em frente. Assim como no futebol, quando um jogador erra, vai mal, ele tem outras oportunidades. Outros jogos virão para que erros sejam evitados.