Calma! Foi apenas o 1º quilômetro; A estrada tem 38
Nunca a Série B gerou tanta expectativa

Mazola não é mais técnico do CRB – Foto: Pei Fon – TNH!- Arquivo

 

Mazola Júnior não é mais técnico do CRB. A sequência de resultados e a pressão do torcedor  determinaram a demissão do treinador .

A perda do campeonato para o CSA ascendeu o estopim da bomba. Pós derrota os questionamentos se multiplicaram e até o próprio presidente Marcos Barbosa chamou a responsabilidade para si, pedindo ao torcedor para lhe dar um crédito de confiança.

Mas a decretação da queda de Mazola aconteceu no jogo que marcou a estreia da equipe do CRB na Série B. A derrota por 2 a 0 para o Oeste foi um retrato do CRB nesta temporada: um time sem um plano tático fixo, escolhas equivocadas, trocas erradas e as mesmas características apresentadas desde o início da temporada: pouco poder de contenção, time espaçado, equipe reativa mas sem poder de fogo para atacar.

Estas sinalizações foram dadas em uma fase com adversários, que incomodavam, mas não tinham força para definir os jogos em seu favor. O ‘futebol de resultado’ funcionou nesta época.  Aliás é preciso ser justo: os números de Mazola neste ano são muito positivos. Metas foram atingidas e aproveitamento na temporada, notadamente no Alagoano, é um dos  melhores nos últimos dez anos.

Mas existe uma diferença entre resultado e desempenho, diferença esta que alertei, fiz observações, mas com os ‘resultados’, poucos foram os que enxergaram que a conta iria chegar. Em jogos ou competições de alta performance, resultado e desempenho são aliados e precisam estar absolutamente juntos, caso contrário, a conta chega.

O jogo tático

Oeste vence CRB na estreia da Série B por 2 a 0 : resultado previsível – Foto: Jefferson Vieira-Oeste FC

 

A derrota do CRB para o Oeste mostrou o time regatiano previsível, dentro do padrão esperado. Mazola não mudou o jeito de jogar: uma linha de quatro, dois volantes em linha, uma linha de três ou linha média, com um outro volante fazendo um extremo, um meia atacante que ainda não rendeu pelo lado ou jogando centralizado e um outro extremo reestreado e um atacante referência, pouco participativo do jogo. Estava na cara que o Galo enfrentaria dificuldades. Roberto Cavalo espelhou o Oeste, mas com mobilidade, deslocamentos, velocidade, participação dos volantes no momento ofensivo e laterais intensos nos dois corredores.

Nos cinco primeiro minutos, o time paulista quase abre o marcador. O CRB melhorou seu posicionamento e se não tinha força ofensiva, pelo menos estancou as investidas do adversário.

Mas em uma infelicidade de Ayrton, escorregou em um lançamento longo, o Oeste aproveitou o espaço dado e construiu a jogada que Carlinhos finalizou para defesa parcial de João Carlos e no rebote, Bruno Lopes mandou para a rede.

No último lance do tempo inicial, Ayrton construiu a melhor jogada: ofertando uma assistência perfeita, para Diego Rosa quase empatar.

O time regatiano voltou para o segundo tempo com a marcação mais alta, com Neto buscando o jogo, mas sem compactação ofensiva e o pior deixando espaços generosos para um time que joga com velocidade.

O segundo gol do Oeste mostra que algo está errado no posicionamento do time regatiano. Com três volantes em campo, o jovem Pedrinho rasgou toda a defesa do CRB, vindo pelo corredor central e entrando pelo lado esquerdo da defesa, levou sorte na jogada feita em cima de dois jogadores do CRB e tocou com qualidade para fazer 2 a 0.

Depois disto, os dois times tiveram mais espaço e forçaram os goleiros a terem uma noite de grandes defesas. Tadeu (1-Oeste) e João Carlos (1-CRB) garantiram o placar sem novas alterações: Oeste 2 a 0.