Nem tudo está certo e também nem tudo está errado
Por que as coisas não são esclarecidas com posicionamentos firmes e claros?

CSA comemorou o 38º título da sua história – Foto: Pei Fon – TNH1

 

Após o primeiro jogo da decisão, a fala dos técnicos dariam o tom para o segundo jogo decisivo. Mazola Jr cunhava a frase que “decisão não é para jogar bonito, é para se ganhar’, Marcelo Cabo optou por exaltar a eficiência defensiva do CRB, mas falar da correção de transição, citando textualmente que ‘seguia acreditando nos conceitos de futebol.

Por incrível que possa parecer, o titulo do CSA começou a ser construído no final da semana passada, quando os técnicos mostraram posicionamentos diferentes. É verdade que os dois treinadores disseram em alto e bom som que a decisão estava aberta.

Mas enquanto Marcelo Cabo trabalhou para jogar bonito e vencer a decisão, Mazola parece ter abraçado apenas o que o CRB apresentou de melhor: o aspecto defensivo.

Mas a bola pune. Após jogar o primeiro confronto sem permitir uma finalização do CSA, o CRB proporcionou três finalizações em 20 minutos, inclusive com o time azulino abrindo o marcador neste intervalo. Foi um CSA com aproximação, lateralidade e muita disciplina tática. O CRB estacionou. A equipe não tinha contenção, não tinha saída, não conseguia produzir.

Perdendo o jogo e com a chance de voltar a ficar em vantagem – desde que fizesse um gol, o CRB finalizou apenas uma vez ao longo de todo o primeiro tempo. O CSA ainda chegou ao gol que seria o gol do título. O gol de Daniel Costa é originado em um lateral – tático – com a bola mandada para dentro da área, desviada por um jogador para conseguir a finalização.

Perdendo por 2 a 0, placar que definiria o título no tempo normal, o CRB partiu para o modelo de jogo que deveria trazer mais problemas para o CSA. E foi justamente isso que aconteceu Mazola colocou Ratinho na lateral esquerda, empurrou Willians Santana para o lado direito, Juninho Potiguar para o lado esquerdo. O CRB queria – e, conseguiu – imprensar o CSA, ter muita gente na área para brigar pelas bolas alçadas e teve pelo menos quatro chances claras de gol.

 

Momento do 1º tempo: CSA forte com John Lenno (2) e Echeverria (17) em cima de Juliano (6) – Imagem: Marlon Araújo – Tatical Pad

Mas não foi o suficiente. O CRB acabou tomando do seu próprio veneno. O CSA fez duas linhas de quatro baixas e com muita disciplina tática e muita superação, segurou o ataque do CRB.

O resultado de 2 a 0 , refletiu a coragem, ousadia e modelo de jogo de Marcelo Cabo contra a covardia, baixa performance de Mazola.

Cabo apostou em Michel Douglas. Jogador com mais mobilidade, presença e participação no jogo, fazendo o facão, incomodando Boaventura e Conceição. Mazola apostou em Juliano, volante canhoto, que o técnico do CRB imaginou travar os médios do CSA que jogam mais por dentro. Ele chegou a ser testado contra o ASA, mas não tem cacuete para defender e para passar, atacando como faz um lateral. Além disto é um jogador lento e que foi engolido por Echeverria e John Lennon.

 

No segundo tempo, Mazloa ‘empurrou’ o CRB para cima: Potiguar (19) e Ratinho (7) faziam o corredor esquerdo forte no apoio.

O craque da partida foi Daniel Costa (10-CSA). O garçom foi Didira (19-CSA). Melhor goleiro foi Alexandre Cajuru (12-CSA) e o técnico foi Marcelo Cabo. Wilton Pereira Sampaio fez uma boa arbitragem.

O titulo premiou ao clube que procurou jogar, usou um tempo para conquistar o título , fazendo o time azulino chegar ao 38º título.