Clássico com importante vitória do CRB com a cara de Corinthians e com performance melhor do CSA
CRB lento e previsível, testa três volantes para encarar o São Paulo e vence CSE apertado

Para analisar futebol não pode envolver a paixão, o emocional. É preciso ser racional, dominar aspectos táticos, tentar pensar como o treinador, observar as condições e as peças que o técnico precisa.

Esta é uma necessidade básica de quem trabalha com o futebol. O torcedor envolve-se de emoção, entra no ‘senso comum’ e para ele tudo é maravilhoso se o time ganha e tudo, absolutamente não presta, se o time é derrotado.

Não foi possível discutir o primeiro jogo da eliminatória com o São Paulo. A expressão discutir a eliminatória foi cunhada pelo técnico do CRB, Mazola Júnior, mas não cabe a ele a responsabilidade pela derrota do time.

Dois fatores reforçam isso. Pressionado e ás vésperas de uma demissão, Dorival Júnior teve a coragem de mudar a característica do seu time – mesmo – para enfrentar o CRB. Tirou do time duas estrelas, Diego Souza e Nene. Optou por mobilidade, velocidade, juventude, troca de posições. Dorival mostrou que estudou as deficiências do time alagoano. Mérito, muito mérito para ele.

O segundo fator é que a estratégia utilizada pelo técnico Mazola, correta no meu modo de ver, não teve a execução realizada pelos jogadores. Limitações físicas, falta de recomposição, setores sem funcionamento e a ausência de opções, causaram a ineficiência. Um time que pretendia discutir a eliminatória, não finalizou uma vez na direção do gol.

Havia falado sobre deficiências do lado esquerdo do CRB no jogo contra o Santa Cruz e no jogo contra o CSE. Nos dois jogos, Manoel, jovem lateral do CRB, era o responsável, o “Cristo a ser crucificado”. Mesmo entendendo que o jogador não teve uma boa atuação, não transfiro para ele esta condição. O torcedor poderá perguntar, então o culpado é o Mazola? Nos dois casos e também no caso de ontem, Mazola não tem as peças ou as peças não possuem as características para funcionar no sistema.

Contra o CSE falei e ressaltei no post sobre o jogo contra o CSE que Mazola faz no Rei Pelé um ensaio para o que seria feito no Morumbi. Não funcionou contra o CSE, nem funcionou contra o São Paulo. Mazola não tem um meia de criação, alguém que pense o jogo. Rafael Bastos foi afastado por deficiência técnica e sequer seguiu para São Paulo. As opções do banco eram complicadas pensando no jogo de 90 minutos. Juliano fora de forma. Juninho Potiguar não conseguir acompanhar Gilberto Matuto, Marcão está muito abaixo de Neto Baiano. Tinha o Manoel, que poderia fazer uma dobra de lateral com Diego, mas quem aceitaria esta alternativa se Mazola tivesse optado por ela?

O lado esquerdo do CRB não encaixou. Willians Santana não consegue recompor. Serginho não faz a cobertura e Diego ficou exposto, aos 34 anos, com as constantes incursões de Militão, Valdivia, Marcos Guilherme, Brenner. Não era fácil segurar.

A derrota por 2 a 0 acabou sendo um ótimo resultado para o CRB. O Sâo Paulo teve tanta superioridade no tempo inicial que poderia ter feito pelo menos mais dois gols, um deles, com o pênalti perdido pelo Cueva.

A classificação está encaminhada, mas não está  definida. No entanto para reverter, o CRB precisará ensaiar muito até lá e os atores precisarão fazer tudo direitinho. Isto no entanto é assunto para outro post.