Minha pelada está na rede: Trapichense Praia Clube – Blog do Marlon
Como funciona o Cruzeiro?
Aguardem! Vem aí “Minha pelada está na rede”
Cena da pelada do Trapichense Praia Clube: tradição do azul contra o vermelho - Foto: Alberto Oliveira

Cena da pelada do Trapichense Praia Clube: tradição do azul contra o vermelho – Foto: Alberto Oliveira

Começamos a partir deste post a apresentar histórias, causos e realidades das peladas do nosso Estado. A largada é dada com o Trapichense Praia Clube. Assim como o projeto “Minha pelada está na rede”, o Trapichense é novinho, saindo do forno. Mas ele é apresentado em um novo formato. A equipe já existe há pelo menos trinta anos. A expansão imobiliária e os novos tempos fizeram com que tudo fosse reiniciado e houvesse a troca do campo para a praia. Vamos conhecer causos engraçados, curiosidades e os detalhes que envolvem as peladas em histórias de pessoas simples e que dedicam parte dos seus dias, de suas vidas, ao futebol.

Guardar lugar, vigia que não dorme por ansiedade e bebedouro improvisado

Momento solene e de fé: oração antes de cada pelada - Foto: Alberto Oliveira

Momento solene e de fé: oração antes de cada pelada – Foto: Alberto Oliveira

Por mais simples que seja, toda pelada tem sua organização. Na praia do Sobral, perto da rotatória da Braskem, um grupo de jovens começou uma pelada que é originada de pai para filho.

O primeiro encontro desta nova geração foi no dia 27 do mês passado. Mas inexperientes, eles chegaram ao local perto da hora do jogo e o local escolhido estava ocupado. O resultado foi fazer a primeira pelada já após a ponte da Braskem.

Após este contra tempo, a estratégia mudou. Agora, a turma escolhe um para “guardar” o lugar na praia às 5h da manhã. Um carrinho, tipo aqueles de carregadores de feira, leva os apetrechos: traves, redes, bandeiras de marcação, bebedouro e até mesmo frutas para os mais esfomeados ou ressacados.

Normalmente, o organizador do racha chega atrasado. Mas existe uma explicação bem aceitável. José Claudio, ou simplesmente, Cacau é vigia. E não pode largar o serviço antes de passar o plantão. Mas troca de roupa no próprio trabalho e já chega ao local com todo o gás. Prancheta com anotações dos jogadores, ficha para a escalação das equipes, o cara é realmente organizado.

O racha acontece de 15 em 15 dias e depende até da tábua da maré. Atualmente são cerca de 34 jogadores divididos em duas equipes. Existe um ranking separando os jogadores que são divididos por posições, ou seja, um ruim vai para o lado, um pereba vai para o outro, um craque joga no vermelho, um artilheiro joga no azul.

Existem regras especificas e não há juiz. Normalmente alguém que chegou atrasado ou que está machucado assume o comando do apito. Não existe limite de idade. “Respirou pode jogar” diz Cacau, um dos organizadores do racha.

A galera do Trapichense versão praia apresenta várias dificuldades. Uma delas é a falta de apoio. Eles precisam se cotizar para tudo: material, água, bola e até mesmo para montar a confraternização após o racha.

A ausência de apoio gera a criatividade. Para um simples artefato, como um bebedouro, soluções são encontradas. Em um balde de sorvete foram introduzidas duas torneiras. Dentro do balde é colocada água e o gelo e está servido o liquido precioso.

“Não temos apoio de ninguém. Uniformes, bola, material tudo é custeado por nós mesmos. Pegamos R$ 2 de um, R$ 5 de outro e assim vai. Não existe sequer um apoio de uma secretaria seja do Estado ou do município”, lamenta Cacau.

E como é ficar a noite inteira esperando o dia amanhecer para chegar a hora do racha? “Eu não durmo. É muita ansiedade” admite Cacau.

PAI E FILHOS

Bastos, Bruno e Rodrigo: gerações diferentes; amor pelo racha de pai para filhos - Foto: Alberto Oliveira

Bastos, Bruno e Rodrigo: gerações diferentes; amor pelo racha de pai para filhos – Foto: Alberto Oliveira

Os causos dentro da pelada trazem encontros de gerações. Bastos é um dos mais antigos da pelada. Aos 60 anos, Bastos é dos tempos do Trapichense Futebol Clube jogando no campo da Fical, atualmente, o local onde está o Ginásio do SESI.

Hoje ele não está sozinho. Bruno, 24 e Rodrigo, 23 acompanham o pai no racha. Com uma contusão, Bastos não jogou durante a nossa visita, mas participou como árbitro. O curioso que é os filhos jogarão na mesma equipe e pressionavam o pai-juiz a cada marcação contrária a sua equipe.

DONO BARRADO

Milton segue os passos do pai: criador do racha e agora "proibido" de jogar - Foto: Alberto Oliveira

Milton segue os passos do pai: criador do racha e agora “proibido” de jogar – Foto: Alberto Oliveira

Há mais de trinta anos, José Ivo, foi o fundador da pelada. Mas hoje, ele foi barrado. José Ivo trabalha em um açougue e justamente no domingo é o dia em que existe maior movimento, portanto, ele fica fora do racha que criou, mesmo sendo “dono”.

Mas apaixonado por futebol, José Ivo chega a doar carnes para uma confraternização que surge logo após cada pelada. Seu filho, Milton Oliveira é participante da pelada e um dos organizadores. “Hoje é mais complicado. Na época do meu pai era mais fácil. Quando o time era de campo, era um clube mesmo, tinha até carteirinha. Hoje´é mais família”, disse Milton.

AGRADECIMENTO

Trapiche Praia Clube: agradecimento especial a todos - Foto: Alberto Oliveira

Trapichense Praia Clube: agradecimento especial a todos – Foto: Alberto Oliveira

Sintam-se todos os integrantes do Trapichense abraçados. No domingo rodei por toda a orla e algo me dizia que ali, exatamente, ali encontraria uma turma do bem e histórias legais para iniciar esta viagem por entre as peladas de todo o Estado. Meu muito obrigado a todos. Mesmo sabendo que não joga ninguém fora da relação, estou me convidando e um dia passo por ai para jogar mesmo que seja dez minutos. Valeu galera do Trapichense !

  • Jose Marcio

    Emocionante ver nosso racha , num site de grande repercussão como o tudo na hora , posso afirmar ,que quando me contaram que você foi no racha , eu duvidei que sairia essa matéria. Parabéns ao site por abrir espaço para nosso racha !

  • Milton oliveira .

    Marlon muito obrigado pelo espaço, ficou muito massa a Matéria, parabéns mesmo e isso ai Família Trapichense Praia Clube, Valeu Marlon !!!!

  • Dayane Reis

    Parabéns galera do Trapichense!
    Realmente é muita organização, eles passam a semana inteira falando sobre o racha e o mais importante relembrar as raizes. Já ouvi muitas histórias do Trapichense e agora poder participar também é muito bom. Obrigada Marlon Araújo pelo espaço com certeza os antigos participantes ficarão muito emocionados ao ver!

  • leandro santos

    Valew pela força Marlon a sua ideia esta sendo muito legal,nunca imaginamos que o nosso rachinha seria divulgado nas redes sociais e de maneira tão detalhada como foi esta materia.Sei que vai dar muito certo esta sua ideia e irá encontrar varias outras historias legais por ai valew estamos torcendo por vc.

  • Maciel Malta

    Marlon pessoa assim como vc cara que nos faz correr atrás e ver que nada estar perdido que é muito dificil agente com quase sem nenhum apoio com a cara e a coragem e uma raça maior que as dificuldades que aparece para nos desmotivar ai aparece um cara como vc e nos incentiva a continuar e nos dar mais força pra o Trapichense nao Morrer valeu cara não posso deixar de dar aquela Alfinetada nos trapichense do lado de lá os vermelhos Azul e noiz agente perdeu o primeiro jogo pra eles de 1×0 Marlon veio com sorte pra nos não é só Alemanha que da show Azul 7×3 Vermelho Aquele Abraco kkkkkkk amizade e maior que tudo mais a rivalidade nao podemos esconder …!!!

  • LUIZ HENRIQUE AGUIAR DE OLIVEIRA CAVALCANTE

    Muito boa Matéria , mostra a realidade da galera que pega no pesado a semana toda para ter um tempinho de lazer na praia. Parabéns pela iniciativa e parabéns a todos vcs do trapichense. Me vi ali no meio de vcs , por que quando garoto , morava na ponta grossa e às vezes ia a Praia ” Rachar.

  • LUIZ HENRIQUE AGUIAR DE OLIVEIRA CAVALCANTE

    Muito boa a matéria , parabéns pela iniciativa e a todos vcs que fazem o trapichense. Eu me vi ali . Por que quando garoto , morava na ponta grossa e às vezes ia para a praia do sobral “rachar”.

  • Zé Milton

    Marlon e tudo na hora , vocês não sabem a emoção que senti lendo esse texto , me passou o filme quando jogava , hoje mora no B bentes e lembrei e relembrei cada momento do Trapichense ! Parabéns pela iniciativa .

  • Rodrigo Fontes

    Obrigado senhor pela força q vc ta dando pra nois trapichense e obrigado Marlon….

  • Adriana Ricardo

    Não sabia que as “peladas” eram tão organizadas…
    adorei as curiosidades, e a ansiedade pra jogar…não é uma brincadeira…!
    Muito boa a matéria !