Minha tensão em chegar na Coréia do Sul logo acabou quando desembarquei no moderníssimo aeroporto de Seul e conheci mais sobre essa cidade surpreendente. Depois de tantos momentos maravilhosos no Japão, confesso que tive um pouco de receio para entrar no território Coreanopelo fato do país estar passando por uma confusão política que terminou com o afastamento da presidente Park Geun-hye. Mas o que mais me deixava inquieta era mesmo essa eterna “disputa” com o país vizinho da Coréia do Norte, liderado pelo ditador Kim Jong-il. Na verdade, nós que moramos no Brasil e acompanhamos o noticiário internacional, geralmente assimilamos apenas essa visão de conflitos, ataques e bombas quando se fala em Coréia de uma forma geral… mas vivenciando o dia a dia dos sul-coreanos aqui na capital Seul, enxerguei uma realidade completamente diferente do que eu imaginava. 


Fomos super bem acolhidos pelo simpático guia de turismo Jaiminho. Esse sorridente coreano, que já morou em Coimbra, Portugal, não só fala bem o português, como canta também! Dando um show de hospitalidade, escuta como ele nos recebeu! Estando a milhões e milhões de quilômetros de casa, foi uma sensação emocionante! Mais uma nessa minha viagem pelo Oriente!

Ao desembarcarmos no aeroporto, deixamos as malas no hotel e já saímos para explorar um pouco de Seul. Eu, jornalista curiosa, enchendo nosso querido Jaiminho de perguntas. Tivemos uma aula durante um passeio panorâmico enquanto avistávamos uma cidade limpa, organizada, com um comércio variado e moradores descolados pra lá e pra cá! Já encantada com Seul, consegui entender que os dois países, que um dia foram unidos, hoje são opostos em tudo! As ameaças e devaneios partem sempre do lado Norte. Enquanto isso a vida no Sul segue muito bem, obrigada! 
Nesse bairro residencial em Jikhalsi vimos de perto os costumes dos pacatos moradores, que pedem até silêncio pelas ruas sempre visitadas por turistas.

A VERDADEIRA CORÉIA DO SUL:

Bem diferente do Brasil, por exemplo, o sistema público de saúde na Coréia do Sul funciona quase perfeitamente cobrindo 97% da população de 50 milhões de habitantes. Educação para jovens até os 15 anos é obrigatoriamente toda bancada pelo governo. Salário mínimo equivale em torno de mil dólares, ou seja mais de 3 mil reais. A moderna e capitalista Coréia do Sul, apoiada pelos Estados Unidos, é hoje um país super avançado tecnologicamente e um dos melhores em comunicações. Tem a internet mais rápida do planeta e segundo as Nações Unidas, é hoje a 13ª potência econômica mundial.

Já a Coréia do Norte, mantém um rígido sistema comunista de governo apoiado pela China, com total controle sobre a população e os meios de produção. Os moradores lá não tem acesso a telefone, internet, e até os programas de TV são controlados pelo inconsequente ditador de apenas 34 anos, que já matou um tio e um irmão, envenenados.

Após a Segunda Guerra Mundial e os acordos envolvendo a Rússia, EUA e China, a então Coréia foi dividida. Os dois países estabeleceram um limite territorial (Paralelo 38) e até chegaram a assinar um Tratado por terem acabado com as batalhas imediatas pós-guerra, mas um acordo de paz nunca foi estabelecido, e as duas Coréias não se entendem até hoje! O lado norte parece que parou no tempo. O lado sul se desenvolveu e muito!

Assim como o Japão, a Coréia do Sul também reúne modernidade e tradição num só lugar! No gigante Palácio Changdeokgung, onde viviam as rainhas e os reis coreanos, descobrimos várias curiosidades e segredos da época da dinastia. Patrimônio da Humanidade, ele foi construído em 1405, e fica cercado por um belo jardim. Hoje é um espaço para visitação e recebe várias crianças das escolas coreanas.

 

 

Metade dos sul-coreanos (25 milhões de pessoas) não acreditam em Deus, são ateus. 11 milhões são budistas, 9 milhões presbiterianos e apenas 5 milhões são católicos.

 

Visitamos esse grande e colorido templo budista que fica numa área bem central em Seul. Dentro, uma cerimônia estava prestes a começar com os seguidores já sentados em colchonetes, de meias e com livros e terços na mão. Experimentei essa sensação e realmente impressiona ver a adoração pelo Buda, o Deus na religião deles.

Foi no Bairro de Myong Dong com um gigante comércio que conhecemos e experimentamos vários sabores da Coréia do Sul numa feira ao ar livre no meio de uma rua fechada. O tempo esfriou bastante mas não impediu nosso passeio pelas barracas na feira, que fica cercada por várias lojas.
 

Falando em comida, em Seul vale a pena provar o Shabu Shabu. Uma espécie de “fondue ” bem saudável que é servido de várias formas. Para comer basta mergulhar a carne e os legumes no caldo na panela quente e colocar o molho de preferência.

E quando a noite chega a diversão é certa no bairro Itaewon. Aliás, o povo coreano se diverte e muito. Eles são mais descolados que os japoneses e aproveitam bastante os vários bares, restaurantes, boates e pubs modernos. Itaewon é o “point” de Seul. Tão agradável que fomos três vezes!

Agora o que mais me surpreendeu nesse país foi pisar na famosa Zona Desmilitarizada (DMZ), o limite que divide as duas Coréias! Uma grande extensão de terra de 248 quilômetros de distância e 4 quilômetros de largura que forma, na verdade, uma faixa de segurança com policiamento reforçado de 28 mil militares americanos e 600 soldados sul-coreanos(( foto soldado)) Eles ficam espalhados nas bases ao longo da fronteira, para proteger o limite territorial da comunista Coréia do Norte.

Apesar de ser uma área de constante perigo, porque tem muitos soldados armados, o que mais me surpreendeu por aqui foi o clima de tranquilidade que não lembra em absolutamente nada de guerra! Pelo contrário. Toda a extensão da ZONA DESMILITARIZADA ENTRE AS CORÉIAS é hoje um grande destino turístico que recebe muitos visitantes e inclui algumas paradas estratégicas que relembram o período de conflito e paz entre os dois. Pela grande movimentação de turistas e visitas às variadas opções de entretenimento, até brinquei que essa DMZ poderia ser uma “Disney Coreana”, quebrando totalmente a imagem que eu tinha daqui.

A primeira parada é neste terraço panorâmico onde funciona um observatório e é possível ver a Coréia do Norte do outro lado. Sensação incrível estar aqui…

O tour pela Zona Desmilitarizada inclui a descida num túnel de 70 metros de profundidade feito pelos norte-coreanos para invadir a Coréia do Sul. Eles fizeram quatro túneis, mas só esse, que foi descoberto em 1978, está aberto à visitação. Com um capacete de proteção a gente desce numa espécie de “trenzinho”. O resto da caminhada é feita a pé mesmo, onde conseguimos chegar no ponto mais próximo do território norte-coreano. A apenas 170 metros!

No tour estivemos ainda na estação de trem que fica em Dorasan, dentro da Zona Desmilitarizada. É uma estação de verdade mas que hoje está desativada e serve apenas de atração para os turistas.

Daqui sairá o trem até a estação em Pyeongyang, a capital da Coréia do Norte

Quem sabe um dia essa estação estará movimentada de passageiros  coreanos quando enfim, houver a paz definitiva e a livre circulação entre as duas nações?!

E com esse sentimento de paz, encerro esta SÉRIE ESPECIAL aqui no Blog. Aproveito para agradecer às milhares de mensagens que recebi em minhas redes sociais, das pessoas que estavam “viajando junto comigo”!  Fiquei muito feliz em compartilhar com vocês momentos especiais dessa minha viagem sensacional… uma história vista de perto para contar para meus filhos e netos…