Gion, o Bairro das Gueixas é o bairro mais conhecido de Quioto. Famoso por oferecer várias opções de restaurantes, comércio  e entretenimento, recebe uma enorme quantidade de visitantes se transformando num concorrido local de diversão e boa gastronomia. Pegamos então um táxi no hotel e fomos jantar em Gion. Os taxistas aqui são classudos, sempre bem vestidos, em carros grandes, limpos e organizados. Os retrovisores ficam no capô. Outra diferença é a posição da direção que é invertida, estilo “mão inglesa”, como os carros em Londres. Nos bancos, impecáveis forros de renda branquinhos, branquinhos. Difícil mesmo foi entender a plaquinha de identificação do motorista que não sabia falar nem uma palavra em inglês rsrs Ficamos só mesmo no arigatô!

Nesta noite o bairro Gion estava até tranquilo. Encontramos algumas Gueixas caminhando apressadas pelas ruas que ora são largas avenidas, ora parecem becos com casinhas de aconchegantes restaurantes.

Para quem assistiu ao filme “Memórias de uma Gueixa”, vai relembrar das ruas charmosas e calmas que serviram de cenário, embora o filme não tenha sido visto com bons olhos pelos japoneses. Primeiro porque foram usados muitos atores chineses (percebi no Japão uma certa rivalidade entre os dois povos, semelhante ao que acontece entre Brasil e Argentina) e segundo, pelo fato do autor americano ter envolvido uma personagem gueixa num romance com a venda de sua virgindade, o que revoltou os japoneses por desvirtuar a verdadeira tradição de uma gueixa.

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Rua Shinbashi dori: cenário do filme “Memórias de uma Gueixa”

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E as gueixas são mesmo a grande atração neste bairro. A palavra gueixa no Japão significa praticante da arte. (gei=“arte” e sha=”pessoa”). As ruas de Gion, principalmente as que são repletas de restaurantes e casas de chá, servem de passarela para essas formosas e misteriosas artistas que com belos penteados WhatsApp Image 2017-04-05 at 00.43.13maquiagens brancas se apresentam reservadamente para políticos e pessoas influentes. Aproveito para esclarecer para nós ocidentais, que essas profissionais femininas do entretenimento NÃO tem ligações com atividades sexuais. Muito pelo contrário! No Japão a condição de gueixa é culturalsimbólica e repleta de status, delicadeza e tradição. Elas se preparam para serem Gueixas. Precisam estudar muito e se dedicar desde a infância. Além de aprender um dialeto tradicional, também tocam instrumentos, dançam, cantam, conversam sobre ao mais variados temas e também se vestem conforme exige a tradição milenar. No final da tarde é comum encontrar as gueixas saindo de suas casas a pé, em direção aos vários locais de apresentação que existem pelo bairro.

NARA

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Já no outro dia fomos de ônibus para um bate e volta até a província de Nara, que já foi a capital do Japão por um período de 74 anos, até quando a cidade cresceu e se tornou um Centro Budista no país. Nara fica a apenas uma hora e meia de Quioto e vale muito a pena conhecer! O dia de céu azul deixou nosso passeio mais encantador! O grande destino turístico é sem duvida o Parque Nara, ou o conhecido “Parque dos Veados”, morada de mais de mil simpáticos cervos que passeiam entre os visitantes em busca de biscoitos e descansam nos gramados. Eles literalmente comem na nossa mão! Parece mentira mas eles fazem reverência para pedir e agradecer pelos biscoitos que recebem. Parecem imitar o que os japoneses fazem habitualmente. É realmente encantador!

Tranquilidade e história por todos os lados! Essa pacata Nara abriga templos importantíssimos das duas principais religiões japonesas, que não se conflitam: budismo e xintoísmo. Aliás, a maioria dos japoneses acredita nas duas religiões ao mesmo tempo. É no Parque de Nara que fica o Templo Todai-ji considerado Patrimônio Mundial da Humanidade. Construído em 752, esse templo todo de madeira abriga uma estátua de bronze gigantesca do Grande Buda. Tem 16 metros, equivalente a um prédio de aproximadamente 7 andares. É a maior do Japão. Uma imponência até difícil de descrever!
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Na província de Nara também está o Templo Kasuga.
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Esse templo xintoísta é famoso pelas 3 mil lanternas de pedra que margeiam um longo caminho em meio à natureza que leva a um templo principal, onde centenas de lanternas penduradas nos corredores vermelhos dão um toque especial. O xintoísmo é uma religião com mais de 2 mil anos de história no Japão. Os adeptos não acreditam em Deus e sim nas divindades da natureza.

Ainda no Parque antes de deixar Nara, provei o sorvete de Sakura que é feito da Flor das cerejeiras daqui. Adorei! Tem gosto de um iogurte docinho, muito saboroso! Ah! Diferente das cerejeiras do Brasil, as daqui do Japão não dão frutos!

Na volta para Quioto uma aula animada no ônibus para entender um pouco do difícil alfabeto japonês. Nossa simpática guia Keiko (que já morou no Rio de Janeiro) falou que as crianças aqui no Japão entram na escola com 6 anos de idade e aprendem em média 2 mil ideogramas. Esses “desenhos” cheios de significados. Atentos à explicação da Keiko, conseguimos até entender a relação entre alguns símbolos, que viram palavras inteiras, frases e derivados.

Voltamos ao bairro Gion, desta vez à tarde, em horário de pico. Passeando pelas ruas, jardins e pontes, vendo de perto o dia dia de trabalho do povo japonês e cada dia mais encantada com esse país.

Estou amando a viagem e tudo o que já conheci até agora. Mas ainda tem muita coisa pela frente! No próximo post eu mostro o nosso embarque no famoso trem-bala, com destino a região onde fica o Monte Fuji, símbolo do Japão!

Até quinta-feira, então! Beijossss